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O cristianismo é uma religião missionária

  • Foto do escritor: ASSOCIAÇÃO BATISTA BRASILEIRA ABB
    ASSOCIAÇÃO BATISTA BRASILEIRA ABB
  • 16 de out. de 2025
  • 4 min de leitura

por Pr. Jarede Vieira Souza

Diretor de Missões BMA/ABB


“Portanto, vão façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” - Mateus 28.19.


Para os cristãos, a evangelização das nações é imprescindível na concretização da vontade de Deus para o mundo. A igreja, a partir da sua implantação no primeiro século da era cristã continua a missão porque entende que é sua responsabilidade expandir o reino de Deus na terra. A evangelização é a comunicação das boas novas acerca de Jesus Cristo, que culmina no convite à decisão de aceitar ou não.


A verdade sobre Jesus Cristo ser o único Salvador e Senhor é inerente ao evangelho,

e aqueles que se tornam seus discípulos abrem mão de seus deuses e suas crenças de outrora, tornando-se testemunhas e se responsabilizam na continuidade da implantação do reino de Deus na terra.


O alvo da evangelização é, sem dúvida, a conversão a Cristo e o arrependimento de qualquer forma de idolatria. O apóstolo Paulo deixou isso claro quando do seu testemunho diante do rei Agripa afirmando que seu chamado para a obra missionária era “para abrir-lhes os olhos e convertê-los das trevas para a luz e do poder de Satanás para Deus, a fim de que recebam o perdão dos pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim”. (Atos 26.18).


Não é estranho que a evangelização e missões sejam consideradas ofensivas e encontrem oposição. As pessoas que não foram transformadas pelo poder de Deus rejeitam a voz do Espírito Santo e são inclinadas a derrubar aqueles que proclamam a mensagem. Mesmo sendo a evangelização uma inquietação para os povos não alcançados, a igreja não deve se calar, antes investir com sabedoria e intensidade percebendo as oportunidades que surgem na vida dos homens. Lembrar que Jesus enfrentou inimigos amargurados, caluniosos apesar de sempre fazer o bem e restaurar as pessoas da sua época.


Devido à natureza do pecado e às demandas exclusivas da evangelização, aqueles que rejeitam a Cristo sempre considerarão a sua mensagem como ofensiva e perturbadora. Jesus ordenou a proclamação do evangelho a todas as pessoas a partir da localidade da igreja até os confins da terra por métodos éticos. Jesus nunca forçou as pessoas aceitarem o evangelho, nem instruiu seus discípulos a usarem métodos elaborados para enganá-las. Ele, aberta e honestamente, disse às pessoas o que deviam esperar ao sedecidirem a segui-lo, quando chamou para se tornarem seus discípulos. Jesus não confundiu suas emoções para fazer com que as pessoas o seguissem cegamente, ou sem qualquer discernimento. Ele abertamente disse o quanto custava o discipulado.


Para muitos cristãos, a missão não é sinônima de evangelismo, mas é uma da ferramentas que a igreja utiliza para expandir o reino de Deus na terra. Na perspectiva dos evangelhos, os discípulos foram imbuídos da proclamação do evangelho sem a preocupação do uso dos termos ou significados. Anunciar a mensagem das boas novas que provoca a restauração é a ênfase nos textos bíblicos.


No Antigo Testamento, a paz é anunciada para uma convivência pacífica na construção de uma sociedade restaurada, justa e solidária a partir do povo de Israel. Os profetas foram os instrumentos de Deus para apresentarem ao povo de Israel e, consequentemente, às nações a mensagem de libertação e o cuidado divino.


No Novo Testamento, a proclamação das boas novas se inicia com Jesus numa época de conflitos políticos e religiosos. É um período da história com violências e desestabilidades sociais. A mensagem proclamada pelo Mestre e depois pelos discípulos trazia no seu bojo a reconciliação do homem com Deus e, paulatinamente, com o próximo. Jesus apresenta o imperativo amar a Deus e ao próximo como regra áurea para o novo momento da história.


Nessa perspectiva, após a morte de Jesus, os discípulos apresentam as boas novas de que Jesus morreu pelos pecados dos homens, ressuscitou dos mortos e ele é o Senhor que oferece o perdão e a vida eterna àqueles que nele creem.


O evangelismo é a convicção positiva, nascida do evangelho, de que o centro, objetivo e a história do mundo é Jesus Cristo. É pertinente lembrar quando da apresentação do evangelho observar a implicação com o discipulado como continuidade da experiência das boas novas.


Portanto, quero finalizar afirmando que:


Missões é inerente à própria natureza do cristianismo, é um fruto da fé pessoal e de um relacionamento adequado, iluminado pela compreensão dos textos bíblicos. Por outro lado, não acreditar que missões não precisam ser ensinadas ou estimuladas na igreja ou que surgem espontânea e automaticamente. Nada é espontâneo no cristianismo. Tudo deve ser ensinado, cultivado e estimulado. A ação missionária compreendida a partir do ensino de Cristo, motivada pelo Espírito Santo, deixa de ser uma tarefa penosa da igreja. Uma igreja que não reconhece a prioridade de missões pode privar-se da relação íntima com Jesus, falha em identificar-se com o principal propósito de Deus, perde experiências que fortalecem a fé e nega ao mundo a graça de Deus que opera a restauração. A prioridade de missões está registrada em vários textos da Bíblia. Todos os apóstolos se entregaram a missões e apenas a morte poderia impedir o percurso para a implantação e a expansão do evangelho por todo o mundo. A paixão do apóstolo Paulo era anunciar o evangelho, apresentar e ensinar Cristo a todo homem, tendo por objetivo sua transformação pessoal e comunitária, entendendo a eficácia do poder de Cristo através da sua vida.


Nenhuma igreja pode se separar de missões e mantendo seu caráter do Novo Testamento e sucessão apostólica, ou relegar missões para um segundo plano. Para gerar uma motivação firme e duradoura em missões, a igreja, portanto, se depara com uma tarefa de interpretar claramente as qualidades do cristianismo, assegurar uma compreensão harmoniosa do conselho de Deus, cultivar uma profunda apreciação de Cristo através da experiência pessoal da realidade de Cristo e fornecer meios apropriados para uma expressão constante de tal apreciação. Essa é uma tarefa desafiadora e gigantesca, mas será uma tarefa que compensará os esforços. Quando isso for feito, a igreja experimentará a prosperidade em todas as esferas ou áreas jamais conhecidas.


“Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra”. (Atos 1.8).


Pastores Jarede e Fábio em vista a Guiné-Bissau
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